30 de junho de 2010

"Saudade é a presença do distante". (Bilac)


"-Desengasguei!
-E o que havia em tua garganta?
- A saudade de ti!" (De uma conversa com um amigo)


Alguém já bem disse que a saudade é uma coisa muito complicada, e eu acredito que seja verdade. Há dias em que ela fica adormecida em alguma parte qualquer de nossa mente. Mas há dias, também, em que ela desperta, e não se limita a um determinado espaço em nós. Ela faz questão de se alastrar por todo o ser!
Tudo o que fazemos nos remete a algo que se perdeu, ou a alguém que se foi, ou mesmo a algo que não existiu, que nunca aconteceu, de alguém que nem conhecemos.
Hoje meu dia está assim: cheio de saudade! Uma nostalgia estranha, que violentamente me invadiu, desde as primeiras horas da manhã. Mas não está sendo uma saudade ruim, que me deixa triste.
Sinto uma saudade, hoje, que me trouxe boas lembranças. Lembrei-me das brincadeiras de criança, até tarde da noite em antigos verões; dos esconde-esconde, dentro da casa da Vóvis; dos sustos que dávamos uns nos outros, com o único intuito de atormentar; das vezes em que dormia sobre a barriga do meu pai, quando eu tinha 2 ou três anos, e de tantas outras coisas.
Sentir saudades...sentir viver e pulsar tão perto a presença do que está distante, do que só existe ainda em mim. E isso hoje me fez bem!

28 de junho de 2010

Agonia...


Anjos chorosos caminham por essas
Ruas quaisquer de inverno.
Perdidos numa estrada vazia,
Presos entre passado e futuro,
Gritam suas dores em lamentos insólitos,
Como se fosse a última chance de uma
Ínfima felicidade!
Ó, esperança fugaz!
Ó, gritos de dor e amor!

É hora de caminhar, mas não
Sei se o posso fazer sem que
Tenha por perto quem um dia me
Não consigo me viver, caminhar,
Prometeu amor e paz eternos!
Acordar sem que pense, a cada dia
Que minha vida dissolveu-se como
Um castelo de areia ao sabor de uma onda.
E vejo morrer em mim tudo aquilo que já
Agonizava há tempos!
E não consigo traduzir o que se passa
Em meu peito, o que inunda minha
Mente inquieta como gotas ferozes.

Não há perturbação que resista à paz de teu abraço,
Não há noite que persista ante a luz de teus olhos.
Mesmo que você não veja, meus olhos, na multidão,
Procuram pelos teus. Minha carne, em desespero,
Grita pelo teu abraço, teu calor...

Juliano Cruz
19-28/06/2010

27 de junho de 2010

Apenas uma tentativa de TRADUÇÃO!



TRADUZIR-SE

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Gullar

26 de junho de 2010

Aprendendo


Hoje aprendi uma coisa que, pelo menos para mim, será de grande valia: quando os versos de um poema novo inundarem a alma, anote-os imediatamente!
Sim, tive hoje, assistindo a um dvd do The Doors, um insight com uns versos lindos, porém, não os escrevi, confiando em minha memória, que nunca foi grande coisa. Resultado: sentei-me, agora com o intuito de escrevê-lo para postar aqui, mas minha memória não foi capaz de trazê-los à tona!
O que me deixa satisfeito é que, mesmo que ninguém o tenha lido, ou mesmo ninguém sabendo do que ele trataria, esse poema misterioso e desconhecido aconteceu dentro de mim, portanto, ainda que por um breve espaço de tempo, ele esteve vivo, já que, para um poema viver, segundo penso, ele não precisa ser escrito. Basta que ele aconteça.

21 de junho de 2010

Infinito...talvez particular...


Acordei, como de costume, às 00:06H da manhã, pontualmente! A vida proletária me obriga a isso. Que sina! Ter que se sujeitar a tantas coisas para poder tentar ser alguém na vida. Enfim, nem é sobre isso que quero falar.
Minha mãe abriu a porta do quarto, e a luz do corredor invadia uma parte do meu simples aposento. Fiquei, por alguns minutos, deitado na cama, pensando na vida. Rapidamente meu cérebro já começou a processar as mil coisas que teria de fazer durante o dia. Aliás, até quando durmo (do pouco que durmo) minha mente faz questão de não desligar. Em meio a infinitos pensamentos, fantasias, desejos e emoções, surgiu-me um desejo diferente! Começou como uma simples gota, e quando dei por mim, era uma enxurrada violenta que estava a me invadir, sem dó e sem piedade!
Era um desejo de infinito, de absoluto! Era como se, num instante, minha alma pudesse ser preenchida! Não sei dizer por quanto tempo esse desejo, essa sensação de saciedade na alma durou, porém, sei que me levantei da cama atordoado, quase alheio!
Agora, quase doze horas depois, consegui digerir um pouco disso tudo e venho escrever. Na verdade, eu nem sei que significado dar a isso. Não quero entender, quero saber o que isso significa, apenas.
Enquanto eu não consigo achar um significado, resta-me viajar na voz de Aretha Franklin...Don´t Play That Song For Me...

17 de junho de 2010

Não é fácil!


Queria postar alguma coisa. Sei lá...escrever, deixar alguma impressão legal sobre o que tenho feito, mas hoje estou num dos meus dias cinzentos.
Pela manhã, minha amiga me perguntou se eu estava de bem com a vida, hoje. E descobri que estou sempre de bem com a vida, só que ao meu modo, e meu modo de esta de bem com a vida talvez não seja igual ao da maioria das pessoas.
talvez eu a tenha escandalizado, mas aprendi, hoje esta grande lição: cada um vive de bem com a vida a seu modo, e eu não tenho o direito de dizer que alguém está errado, até porquê, eu mesmo não sei se meu modo está certo...
Mas, mesmo estando no auge de um dos meus dias cinzentos, onde tudo me é pesado e sem graça, onde todas as coisas tiveram gosto de isopor, estou calmo...Talvez seja apenas um modo de ver as coisas. Quem poderá dizer com certeza?
Hoje, o crédito da ilustração é de meu amigo capixaba David (esqueci o sobrenome....)
Como fui reticente nesse post. Odeio!

11 de junho de 2010

Nem as migalhas!


Hoje estou num dos meus dias cinzentos. Na verdade, acho que nunca vivi um dia que tivesse tido outra cor senão cinza. Sou indiferente ao frio, ao telefone que toca (o celular já tocou várias vezes e eu não tive vontade de atender), às coisas que falam aqui em casa. Nada é capaz de me fazer provar de uma única gota de alegria. Minha oração, a cada dia que passa está mais medíocre (o problema não é Deus, sou eu!). As coisas andam cada vez mais insossas para mim, de tal modo que me é difícil querer provar qualquer coisa nova na vida, já que tudo vai ter o sabor do nada!
A cada dia me sinto mais vazio, mais sozinho e em meio a inúmeros turbilhões de saudade, dor e coisas do gênero. Ultimamente, meu companheiro fiel tem sido Fernando Pessoa e seu Livro do Desassossego. Como em encontro no que ele escreveu; como me identifico com sua alegria na tristeza. É estranho!
Aliás, desde a primeira vez que li ou ouvi certas personalidades, tive a impressão de que eles cantavam ou escreviam a minha alma, como se me conhecessem há muitos anos. Janis Joplin, Elis Regina, Florbela Espanca, Cazuza, Aretha Franklin, Vinícius de Morais, Pablo Neruda, Billie Holiday...Enfim, a lista é infindável.
Estou impaciente, irritado, agitado, com o nó na garganta mais sufocante do que nunca, sem conseguir chorar. Vida estúpida! Tem horas em que penso que...enfim...
Acho que vai ser só isso mesmo. Se não foi diferente até agora, por que esperar que mude? Até as migalhas a vida anda me negando. (11/06/2010 – noite)

9 de junho de 2010

Mais turbilhões...


Ah! Mas o vazio dentro de mim hoje é tão intenso que tomou toda a minha alma. Aliás, estou escrevendo sentindo que o nada está escorrendo pela ponta de meus dedos, tamanha é sua proporção. Tenho a impressão de que a vida faz questão de me esmagar o peito e de me tirar as poucas coisas que ainda tentam fazer sentido para mim.
Sempre aos turbilhões. Sempre com essa terrível sensação de que algo me falta e eu não sei o que é. É como se um pedaço da minha carne me fosse arrancado, violentamente, sem que eu tivesse chance ou força para impedir o ato carniceiro! Sempre com a sensação de que minha vida está diante de um semáforo que não sai do amarelo. Sempre tentando manter a esperança de que, algum dia, as coisas vão melhorar, ao mesmo tempo em que sempre vejo as esperanças dissolverem-se a cada dia.
Ah...

6 de junho de 2010

Silêncio Eloquente


"Não insistam:
Hoje resolvi me calar!
Me calei e vi,
Sem sombra alguma de dúvida
Que meu silêncio foi mais
Eloqüente que minhas palavras!"


Juliano Cruz
06/06/2010 – 21:29

1 de junho de 2010

Talvez uma imposição da vida...


Prisioneiro

Sou prisioneiro de mim mesmo;
Sou quem não pedi para ser.
Um estranho até para mim mesmo;
Nada mais que um reflexo no espelho.

Sou prisioneiro! Eu mesmo me atei
A estes fatos inquestionáveis;
A este sentir tudo que quase me mata!
Cá estou: aprisionado, atado,
Amordaçado e sem mais nada
Que me possa ser roubado.
Eu sou obrigado a viver uma
Vida que sinto não ser minha,
A ter sonhos que eu não queria.
E o que vejo no espelho
É apenas uma pergunta, uma incógnita.

Sou prisioneiro de mim mesmo;
Sou quem não pedi para ser.
Um estranho até para mim mesmo;
Nada mais que um reflexo no espelho.

Juliano Cruz
31/03/2010 (noite)

29 de maio de 2010

Bilac...


In Extremis
"Nunca morrer assim! Nunca morrer num dia
Assim! de um sol assim!
Tu, desgrenhada e fria,
Fria! postos nos meus os teus olhos molhados,
E apertando nos teus os meus dedos gelados...

E um dia assim! de um sol assim! E assim a esfera
Toda azul, no esplendor do fim da primavera!
Asas, tontas de luz, cortando o firmamento!
Ninhos cantando! Em flor a terra toda! O vento
Despencando os rosais, sacudindo o arvoredo...

E, aqui dentro, o silêncio... E este espanto! e este medo!
Nós dois... e, entre nós dois, implacável e forte,
E arredar-me de ti, cada vez mais, a morte...

Eu, com o frio a crescer no coração, — tão cheio
De ti, até no horror do derradeiro anseio!
Tu, vendo retorcer-se amarguradamente,
A boca que beijava a tua boca ardente,
A boca que foi tua!

E eu morrendo! e eu morrendo
Vendo-te, e vendo o sol, e vendo o céu, e vendo
Tão bela palpitar nos teus olhos, querida,
A delícia da vida! a delícia da vida!"

27 de maio de 2010

Fragmento


Meus nobres, perdoem minha ausência! Semana de provas na faculdade é isso: correria, noites mal dormidas, estresse e altas crises de riso ao constatar que ficamos aquém do esperado em nosso desempenho! Histeria? Talvez. Depois de fazer duas provas, o mínimo que posso fazer é ficar histérico!
E pela graça de Deus, chegou o frio! Como gosto de dias gélidos, com o vento cortando o rosto e os raios pálidos de sol surrando o piso ao entrarem pelas vidraças! Não nasci para o verão, para o sol.
Já dá pra sentir aquele sabor de tarde de inverno. Não sei explicar como isso se dá, mas, mesmo no verão, muitas vezes meu peito é invadido por esse sentimento. É devastador, porém, não posso dizer que não gosto.



"Olho para trás...O que será que eu poderia ter feito? Talvez deixar uma marca positiva na vida de alguém, ter olhado com mais humanidade para alguém que cruzou meu caminho na rua, ter dito que amava os meus mais vezes e demonstrado isso.
Eu não sei...Parece-me que a vida vai passando cada vez mais rápido e eu não tenho mais tempo de fazer as coisas que sempre julguei importantes. Não consigo mais parar de correr contra os ponteiros do relógio, que, quando não correm velozes, arrastam-se tão lentamente que tenho a impressão de estar agonizando.
Sinto minha vida fragmentar-se, desprender-se de mim a cada segundo, a cada movimento, a cada pulsar desse meu velho e desiludido coração. Vida: paradoxo! Quando penso que alcancei tudo o que poderia me satisfazer, vejo que a efemeridade não me permite tal coisa. Passa-se o tempo, passa-se a vida, e vou percebendo que nada é capaz de abrandar essa dor, esse vazio, esse caos que existe em mim, que me assola e devasta, como um turbilhão que me invade, cheio de lembranças, como recortes antigos.
Não tenho idéia do motivo pelo qual estou escrevendo, mas como sempre sou obrigado a dizer que essas palavras que escorrem de minha alma para meus dedos me trazem alívio. Confidenciar o que sinto a esta folha me faz bem, me deixa menos inquieto, me dá a sensação de liberdade que tanto gosto. Escrever significa que este pedaço de papel não vai me julgar, me rotular, me dizer o que supostamente é certo". (Juliano Cruz - 09/07/2008 - 01:07h)

24 de maio de 2010

Ah...o amor e suas catástrofes!


"O Poço

Cais, às vezes, afundas
em teu fosso de silêncio,
em teu abismo de orgulhosa cólera,
e mal consegues
voltar, trazendo restos
do que achaste
pelas profunduras da tua existência.

Meu amor, o que encontras
em teu poço fechado?
Algas, pântanos, rochas?
O que vês, de olhos cegos,
rancorosa e ferida?

Não acharás, amor,
no poço em que cais
o que na altura guardo para ti:
um ramo de jasmins todo orvalhado,
um beijo mais profundo que esse abismo.

Não me temas, não caias
de novo em teu rancor.
Sacode a minha palavra que te veio ferir
e deixa que ela voe pela janela aberta.
Ela voltará a ferir-me
sem que tu a dirijas,
porque foi carregada com um instante duro
e esse instante será desarmado em meu peito.

Radiosa me sorri
se minha boca fere.
Não sou um pastor doce
como em contos de fadas,
mas um lenhador que comparte contigo
terras, vento e espinhos das montanhas." (Pablo Neruda)

18 de maio de 2010


Flagelo

Queima dentro em mim uma chama
Que não sei de onde vem, nem
Por que se acendeu.
Arde em meu peito uma saudade viva,
Que chega a ser contundente. Flagelo.
Jaz em minh´alma este amor que,
Inconcebível, me maltrata e
Se espalha por todo meu ser.

Noite primaveril silenciosa,
Certezas que se desfazem em
Meio a um vento gélido, quase mortal;
E o silêncio sepulcral que se espalha
Por todo meu pobre peito,
Enquanto vejo, sem ação,
Meus castelos de areia se
Dissolverem diante de meus olhos lacrimosos,
Já mortos de esperar sem nada mudar.

Juliano Cruz
13/10/2009 – 00:09h

17 de maio de 2010

Um não sei que de desassossego


Um fragmento escrito por mim em uma de minhas noites em claro:

Desarranjo

"Mais uma noite insone. Ah, esta insônia que me persegue há tempos! Aproveito essa hora pra escrever, para contemplar o silêncio que jaz na madrugada, pra tentar colocar pra fora as coisas que sinto, que gostaria de sentir e as coisas que, sequer, sei sentir.
Ultimamente ando a procurar algo que nem sei o que é, na verdade. Olho para a minha vida e vejo que tenho tudo o que é necessário para sobreviver, mas falta-me ainda uma coisa, e eu não sei o que é. Estou procurando, procurando, procurando...Acredito muito em Deus, sei que Ele está comigo, tenho minha família, tenho amigos: poucos, porém fiéis; tenho a minha profissão, tenho um amor – ainda que platônico, mas tenho. O que será que me falta?
Sinto uma necessidade estranha de viver num abraço. Amo ser abraçado, e parece-me que a cada dia que fico sem um abraço sou capaz de morrer, me sinto desprotegido, inseguro. O que me falta? Que eu gosto da tristeza e da morbidez, já assumi. Que não suporto ser feliz por muito tempo, que creio que minha vida não anda, isso também todos já sabem.
Ah, como tenho saudades! Saudades de nem sei quem, de algo que não vivi, de alguém que não conheci. Saudade de um tempo em que as coisas pareciam mais simples, de um tempo onde eu acreditava ser possível a idéia de felicidade. Quantas coisas eu queria reviver.
Momentos que foram rápidos, efêmeros, mas deixaram marcas fabulosas em mim. Ao mesmo tempo, quero extinguir de mim as sombras que, constantemente, vem me assombrar. É como se houvesse um abismo intangível entre mim e a felicidade. Não acredito em felicidade desde muito tempo, quer dizer, acredito na felicidade dos outros, pois os vejo sempre conseguindo seus intentos, comigo, tenho a impressão de que a vida sempre faz questão de me apunhalar, e é justamente nesse ponto onde sinto que estou em desarranjo com a vida e com tudo o que ela encerra.
Já escrevi tanto, já pensei tanto, já chorei tanto, já idealizei tanto que não sei mais o que fazer, que rumo tomar. Meus gritos mudos tornam-se cada vais mais agudos, mais latentes e a dor que há em mim torna-se a cada hora pior. Dói viver, dói tentar ser feliz, dói querer ser amado, dói amar, dói ser Juliano! Dói ser sozinho, me sentir só, andar só em meio à multidão. Dói pensar que minha vida não é um pôr-do-sol dourado no horizonte.
Outro dia, numa cinzenta manhã de verão, acordei com a estranha sensação de ter perdido alguma coisa importante. Era como se algo houvesse morrido repentinamente em mim e eu só estivesse me dando conta naquela hora, ao acordar. O que seria? Até hoje tenho essa sensação, e não sei o que perdi pelo caminho. Apenas sei que o espaço que isso ocupava, só ajudou a aumentar o vazio e a angústia que desde há muito são latentes em mim".

16 de maio de 2010

É tanta coisa que nem sei...


"O mundo é um clichê. E pior, muito pior será o dia em que colocarem essas flores falsas sobre a minha sepultura"!

Rosas de Vidro

Arranco estes versos de alguma
Parte obscura de minha alma!
O que não posso gritar aos
Quatro ventos, escrevo nestas
Linhas inexatas, como se meu
Lamento escorresse pelas pontas dos
Meus dedos trêmulos de tanta apatia!

Minhas rimas medíocres se tornam
A cada dia vazias e descoloridas,
Como um filme em branco e preto
Sem começo, meio ou fim!
Essas flores que hoje balançam
Ao sabor do vento de inverno...
Ah, este inverno que me devasta!

Sem um abraço, sem um sorriso,
Apenas lágrimas que irrompem
Impetuosas de meus olhos castanhos
Já habituados e cansados de pranto.

E os gritos mudos ecoam em minha
Alma dilacerada por tua ausência,
Pela falta que me faz teu abraço,
Tua calma, tua respiração, te ver dormir...
Fragmentos de minha vida se unem
À lembranças infantis de tua presença.
Vou caminhando entre espinhos!
Entre rosas de vidro, ilusões e saudade.
Onde o nada se faz palpável!

Juliano Cruz
18/07/2009 – 18:53h

13 de maio de 2010

Inabitado!


"Não sei o que anda acontecendo comigo. Que eu vivo angustiado, sempre inquieto, não é novidade pra ninguém. Mas faz já alguns dias que estou mais angustiado do que o costumeiro.
Há alguns dias, percebi em mim uma sensação terrível de estar sem chão, sem apoio, num abandono terrível. Era como se eu estivesse passando pela vida sem ser notado por ninguém, sem que as pessoas me vissem. E assim permaneço até então. A impressão que eu tenho é de que sou um estranho até para mim mesmo. Não me conheço mais, me sinto sozinho, me sinto preso, oprimido por um não sei que de solidão! Resumindo, me sinto inabitado!
Sim, é como se eu não estivesse em mim, como se eu tivesse indo ido embora de mim mesmo. Não consigo me concentrar, não tenho inspiração para escrever, para estudar, para ouvir música. Parece-me, em certos momentos, que a vida que havia em mim estancou-se em algum momento sem que eu percebesse, sem que eu tivesse tempo para fazer qualquer coisa. Nada tem feito efeito para aliviar isso: nem a música, nem a oração, nem nada.
Ao mesmo tempo, me intriga muito o fato de as pessoas me terem como uma referência. A quantidade de gente que me liga, que me procura para pedir oração, conselhos ou simplesmente partilhar a vida (e as pessoas partilham comigo mesmo sem me conhecerem) é impressionante. Há dias em que preciso desligar o telefone para ter um pouco de silêncio. Mas, em seguida o silêncio já me é insuportável. Creio que a quietude é uma coisa para a qual meu espírito não foi condicionado. Mesmo que externamente eu esteja quieto, taciturno, calado, por dentro, minha mente e minha alma estão aos turbilhões, e isso acaba em machucando, nem sei porquê. E dói! Dói tanto que, muitas vezes na vida já pensei em provocar uma dor no corpo para ver se a da alma era amenizada...
Não sei o que fazer. Queria apenas que alguém me abraçasse. Não precisaria dizer nada. Me contentaria com o abraço (nó na garganta!). (13/05/2010 – 17:17h)"

7 de maio de 2010

Essa Aline...


Os Corações de Aline

Nada mais importava! Nem os problemas da noite, nem os perfumes de outono. Nada!
Ela tinha o desejo de espalhar o amor. Tinha o desejo de amar as pessoas de tal modo que não suportava a idéia de ter que partilhar seus amados com quem quer que seja. Quase se alimentava da presença de quem se aproximava.
De tanto amos que tinha em si, resolveu, de modo simples, num gesto sereno e cheio de uma leveza insustentável, espalhar o calor ardente que lhe abrasava ternamente o peito.
Tirou de uma folha toda cheia de tons rosados. Olhou-a fixamente, como se vislumbrasse ali todas as boas intenções do coração humano, ou o isso puro e incontido das crianças que ela tanto desejava abraçar e apertar contra o peito.
E com um brilho inocente nos olhos e um sorriso cheio de candura, habilmente dobrou a folha uma vez. E mais outra, e outras mais. Aquela folha rosada foi tomando forma. Uma forma inusitada, porém cheia de significado, de “sins” e de nãos, de lágrimas e sorrisos.
Repentinamente, sem que eu me desse conta, depositou aquela folha sobre minha mesa. E contemplei por um breve instante aquele coração de papel, e descobri que não era apenas um papel qualquer que era depositado sobre a brancura pálida de minha carteia, numa sala de faculdade.
O que Aline colocou sobre minha carteira e sobre a minha vida, minha alma, era a amizade cândida que ela me tinha; o amor incondicional que ela me devotava.
Eu, por minha vez, acolhi não apenas o coraçãozinho de papel. Fui alem, e acolhi todas as coisas de Aline, seu mundo, sua vida, que já faziam parte, também da minha vida.


Juliano Cruz
24/03/2010 – 20:48h

6 de maio de 2010

Cicatrizes


"If you don´t believe there´s a price
to this sweet paradaise,
just remind me to show you the scars" (Dylan)


Há dias em que, por causa de uma coisa ínfima, vem à tona tudo o que parecia estar assentado, quieto, dormente. Daí, percebo que, no mais secreto de mim mesmo, onde eu pensava existir um doce paraíso, não há nada mais que uma dor que se eleva de minha alma como um grito mudo.
Não sei porque estou escrevendo isso, mas me veio à alma e precisei expor.
Há quem diga que as cicatrizes são marcas de vitórias, troféus. Aparentemente pode ser. Mas dentro de mim? Só Deus sabe!

2 de maio de 2010

As paredes brancas...


"Porque as paredes não deixarão de sê-lo se eu não estiver mais aqui. O chão não vai perder sua essência se eu não mais assentar meus pés sobre ele, e o ar não vai parar de mover-se se eu não mais respirar. E nisso vejo a efemeridade desta vida! As coisas não deixam de ser elas mesmas pela minha ausência. Eu posso parar de existir, mas as coisas todas ainda serão. Acho que, para morrer, eu tenho que ser completo, e é só quando eu for completo que poderei morrer. Antes disso, não. Me nego!
Mesmo as paredes ou o chão não sabendo de minha existência, eles fazem, de alguma maneira, parte de mim, do meu universo. Talvez minha vida não fosse a mesma se não fossem essas paredes que, de tão brancas, parecem pálidas! Acho-as, às vezes, brancas demais. Chegam, em alguns momentos, a irritar-me, haja visto que são inexpressivas e me lembram o nada, que tanto me assola! É como se essa brancura mórbida me sufocasse, me fizesse perder o rumo da minha própria vida. Não sei!" (Verão de 2010)