18 de janeiro de 2011

Viagem...


Pois bem, meus nobres, cá estou curtindo as delícias litorâneas na Riviera de São Lourenço! Ah, merecidas férias! Estava à beira de uma estafa. Meu cansaço era tanto que eu mal conseguia pensar, ou mesmo apreender o que eu lia, ou mesmo que eu rezava. Aliás, por mais de um mês, abandonei a oração, e no início deste ano novo, me decidi a recomeçar a vida com Deus. Vou indo, aos pouquinhos, tentando rezar, meditar, mas minha caberça está sempre aos turbilhões.
Quanto às férias na praia, bem...estou me ocupando em não fazer nada. E quanto mais fico sem fazer anda, menos tenho vontade de fazer. Abandonei a neurose do relógio, da vida pré-moldada e fico longas horas na praia, sob o sol (pasmem!)
Na verdade, estou entendendo agora o que significa descanso.
Quando voltar à Araraquara, posto mais coisas. Abraços.

12 de janeiro de 2011

Versos inacabados


Queria encontrar algo legal pra postar, e relendo alguns escritos e poemas, achei estes versos. Eu apenas os iniciei, depois não tive mais inspiração para os continuar e ficou por isso mesmo. Nem nome eles tem...


"Não há perturbação que resista à paz de teu abraço,
Não há noite que persista ante a luz de teus olhos.
Mesmo que você não veja, meus olhos, na multidão,
Procuram pelos teus. Minha carne, em desespero,
Grita pelo teu abraço, teu calor..."(19/06/2010 – 18:44h)

4 de janeiro de 2011

O Conto de 8 nomes possíveis...


Ultimamente, tenho sentido que histórias sem sentido algum têm gritado dentro de minha cabeça. Vou postar, hoje, uma delas, que tem oito nomes possíveis, portanto, cada um pode chamar este pequeno conto bizarro com o nome que achar que se encaixe melhor. Sintam-se à vontade para comentar, criticar ou elogiar.


Clarissa (O Banho, Inocência Roubada, Sonho Morto,
Existência A-nexa, Morte Diária, O Vapor no Fim da Tarde, Verdades Vazias)

"-Ao contrário do que você pensa, não me agrada viver esta vida imunda!
Depois de encerrar a discussão com estas palavras, Clarissa trancou-se no quarto e sentiu uma náusea subir-lhe do estômago à alma, e um certo pavor de vida lhe turvou a visão. Havia gritado tudo o que estava engasgado em sua garganta havia anos, desde que se entendia por gente, e não se sentia aliviada de dizê-lo, já que a vida ainda lhe fazia um peso sem fim sobre os ombros e sobre a alma. Adormeceu.
No fim da tarde, resolveu despir-se da roupa da noite que ainda persistia, bem como o perfume forte que já lhe era peculiar. Antes de tirar a roupa, abriu o chuveiro e seu corpo esguio desejou provar da quentura daquela água que jorrava impetuosa. Observou as marcas da violência recebida de seu cliente que mais aprecia um bárbaro. Já debaixo da água quente, sentiu as dores e as infelicidades de uma vida sempre miserável e cheia de perplexidades. Por fim, sentou-se ao chão, e enquanto os vapores de seu banho lhe lavavam o corpo, as lágrimas que lhe corriam discretas dos olhos lavavam-lhe a alma de todas as atrocidades que a vida lhe havia imposto. Chorou copiosamente e se deu ao luxo de abafar os soluços para que ninguém os pudesse escutar.
Por algum tempo, durante aquele choro vespertino, chegou a sentir nojo de si mesma, mas afinal, era a única oportunidade que a vida lhe oferecera e, para ela, viver estava sendo suficiente, tanto assim que ela mesma não exigia mais anda de si mesma.
Enquanto as lágrimas lhe corriam pela face, lembrou-se saudosa da infância, dos tempos da amarelinha desenhada no asfalto nu, das brincadeiras puras na calçada da casa de sua avó, quanto sua mãe dava voltas pelo mundo. Lembrou-se do primeiro amor, do primeiro beijo...tão cândido!
E sem alegria ou saudade quaisquer, lembrou-se do dia em que morreu pela primeira vez. Nós temos que morrer tantas vezes ao longo de um só dia e para tanta coisa, que já deveríamos estar acostumados à morte. Para tudo é preciso morrer. Nascer é começar um processo de morte; é caminhar lentamente para a plenitude de ser e para a não-existência. E ela se lembrava da primeira morte, aos oito anos, quando teve sua inocência pisada, destruída e seus sonhos de menina mortos, levados ao sabor da enxurrada. Tinha oito anos, mas a partir daquele dia, nunca mais soube o que era a alegria de uma criança, pois aquele homem de olhos negros e nervosos, de camisa imunda, havia roubado o que de mais precioso Clarissa tinha.
Ainda menina, ela morrera num canto qualquer de um terreno baldio, e com ela morreram as esperanças, as alegrias e nunca mais Ela soube o que era uma noite tranqüila de sono. Começou a acordar aos sobressaltos, chorando, e sentia constantemente que havia um nó em sua garganta, e que havia dentro de si um vazio tão grande, violento e intenso, que era quase palpável. Constantemente era vista olhando para longe, como se esperasse vir pela rua estreita uma resposta àquela dor que a devastava. Mas nada!
E nisso começou a aprender que não adianta esperar respostas ou explicações. Nem tudo o que acontece tem uma explicação, e isso a fazia mergulhar mais ainda em uma descrença quase absoluta de tudo quanto havia na vida. Como podia o Deus a quem fora forçada a acreditar não tê-la livrado de ver morrer seu interior todo cheio de vida? E como numa mistura de prazer e agonia, de dor e amor, êxtase e delírio, Clarissa sentiu, mais uma vez, sob a água quente de seu banho, morrer dentro de si mais um pedaço de sua vida. Já haviam roubado dela pedaços tão importantes de si, partes de uma vida que poderia ser tão promissora, que ela já não conseguia mais ver nada em seu caminho a não ser os estilhaços que sobraram pelo chão enquanto ela caminhava.
Simplesmente cansada! Cansada de ver morrer aquilo tudo que ela considerava importante, de ver morrer seus sonhos, suas esperanças, suas alegria...
Buscava também a verdade. Mas não um verdade qualquer. Buscava uma verdade que a pudesse preencher, que trouxesse um pouco de leveza à sua vida conturbada. Mas todas as verdades oferecidas a ela eram insuficientes, cheias de conceitos que já não mais cabiam em seu pensamento fluido (náusea). De tanto ouvir verdades vazias, resolveu acreditar em suas próprias verdades, e isso lhe possibilitou certa leveza, muito embora, o pavor que tinha de viver fosse gritante.
Após chorar sob o chuveiro, sentada àquele chão que lhe era tão conhecido, Clarissa se levanta e vai olhar-se no espelho, o chuveiro ligado. E viu ali não uma garota que vendia prazer aos outros, mas o pálido reflexo de alguém que apenas recebeu duros golpes da vida e nada pôde fazer para se fixar naquilo que chamam lado bom. Olhou-se e chorou um pouco mais. E o vapor a inundar o banheiro". (29/12/2010 – 00:02h)

1 de janeiro de 2011

Regresso...


Depois de meses sem postar absolutamente nada, regresso no primeiro dia de 2011. Não sei o que postar hoje, porque o sono está me consumindo, porém, vou pensar em algo legal pra colocar aqui.
Ultimamente tenho escrito contos (bem medíocres, por sinal) e algumas histórias bem toscas que andam correndo pela minha cabeça. Enfim, a cada coisa que acabo de escrever, me sinto meio morto, como se um pedaço da minha carne fosse abortado de mim. Acho que é bem isso, porque tudo o que escrevo faz parte de mim, e quando eu coloco no papel, já não me pertence mais, é arrancado de mim.
Parece bem estranho, mas é o melhor que posso fazer por enquanto...

12 de setembro de 2010

Sem definições


Eu vou jogando com as palavras. Às vezes, escrevo coisas que não entendo muito bem. Outras vezes, ainda, eu releio coisas que escrevi há tempos e é como se outra pessoa as tivesse escrito, não eu. Tenho a impressão de que estou lendo coisas escritas por uns estranho, pois não me reconheço no que escrevi, no que saiu de minha alma e veio à tona em versos, frases, ou fragmentos.
Já tentei, muitas vezes, me definir no que escrevo, mas descobri há pouco que não posso me definir, porquê ainda não estou pronto! Se estiverem atrás de mim, querendo que eu fale ou explique quem sou, estão perdendo a viagem. Estou me construindo, construindo a minha existência, meu caminho, minha essência!
Talvez pelo fato de ainda não ser, eu não consiga me reconhecer nas coisas que eu mesmo escrevi há meses, anos atrás. Eu estou mudando. Sinto que hoje não sou igual ao que fui há seis meses. Sinto que uma alegria infame andou me contagiando a alma de uns dias pra cá. Sinto que meu corpo já sofre os efeitos do meu cansaço mental com intensidade. Sinto, sinto, sinto...
Ainda hoje, à tarde, reli alguns poemas e fragmentos escritos à mão há alguns anos. As folhas já estavam amareladas pelo tempo, com as bordas amassadas. Alguns foram escritos em guardanapos de papel em algum noite de verão, outros escritos em pequenos pedacinho de papel que, certamente, eram rascunhos de algum lugar. Meus versos mudaram, minha forma de escrever mudou, o que eu sentia mudou. O que não mudou foi fato de sentir. Minha alma é maior que meu corpo. Sinto tudo de modo mais gritante do que os “normais”. E gosto de sentir desse jeito!
Dispenso os perfumes suaves, os temperos suaves; dispenso os sabores insossos, as luminosidades médias. Não gosto do meio-termo, do médio, das coisas equilibradas demais! Gosto dos extremos, porquê viver de equilíbrios é quase morrer!

Juliano Cruz
12/09/2010 – 00:12h

9 de setembro de 2010

Intolerável


"De tão caótica, há períodos em que a vida se torna intolerável dentro de mim. Não encontro outra forma de me libertar desse caos senão escrevendo, tentando entorpecer a mente, a alma, ou seja lá o que for com estas simples confidências tristes que me escorrem pelas pontas dos dedos como se fossem um lamento líquidos de proporções escandalosas!
Às vezes essa coisa intolerável perdura por dias a fio. Outras vezes, se ausenta de mim em prazo de milésimos de segundos. O tempo que duram, na verdade, pouco importa. Importa, realmente, saber que estes períodos de vida intolerável, cheia de vazios e cinzas devastam-me quase por completo. Em tempos assim, eu só consigo enxergar os dias coloridos como pálidos reflexos de qualquer coisa. Tenho ódio ao sol, náusea à luz e às cores. Tudo se torna tão insuportável que julgo estar perdendo uma parte importante de mim, como se ame fosse abortado algum órgão vital.
Intolerável, vazia, acinzentada...assim vejo as ruas, os carros, os amantes sob o luar, as flores da palpitante primavera que se aproxima. A vida dentro de mim se estancou há muito. A alma, pelo que vejo, já é morta, porém o corpo ainda faz questão de se manter vivo. Nada me desperta a atenção: as cores, os sons, os odores, enfim, tudo se faz sentir por mim com uma agressividade tamanha, como se minha alma estivesse transcendendo meu corpo, transbordando por meus poros. A única coisa que ainda procuro é um olhar numa rua qualquer que me reconheça, que se reconheça no meu olhar; um abraço que necessite do meu abraço, não sei quê de satisfação que consiga me atingir na veia".

Juliano Cruz
(08/09/2010 – 22:38h)

4 de setembro de 2010

"Eu tive um sonho ruim e acordei chorando..."


Escrevi este texto ainda há pouco, após acordar de um pesadelo. Há muito de mim no que escrevi, como também há coisas de outras pessoas próximas a mim. É madrugada e eu não consigo dormir...


Uma overdose de verdades da vida

Ela não era feia. Tinha um belo corpo esguio, longos cabelos castanho claro e nos olhos esverdeados a fúria de um mar bravio. Apenas não era dada a conversas fúteis, o que fazia dela um ser humano incomum; diferente da maioria. Porém, a maioria a achava estranha. Ela era inteligente: lia bons livros, ouvia boa música, apreciava bons filmes, e tinha apenas 17 anos. Seu nome era Mariana.
A coisa toda começou na escola. Um dos meninos, popular, até, se aproximara dela e começara a notar que ela era muito mais do que o silêncio e os jeans surrados que usava. Ali havia alma! Uma alma cheia de encantos e de uma vida indizível. Por fim, acabou por apaixonar-se. Não havia muito a fazer senão apaixonar-se por aquela criatura tão meiga. Cheia de puros desejos de felicidade, apreciou andar pelos corredores do colégio de mãos dadas com seu romance adolescente, cheio de maturidade.
Muitos se doeram com isso.
- Quem ela pensa que é? – diziam as bocas infernais.
De tão inconformados com aquela cena, resolveram tramar o fim daquilo tudo. Não gostavam de Mariana, que jamais fizera qualquer coisa que pudesse angariar o ódio de alguém. Aliás, havia sido ensinada, desde criança, que todos têm o direito de serem como quiserem ser, e que ninguém tem o direito de interferir nas escolhas dos outros. Fora educada a respeitar a quem quer que fosse!
Infelizmente, não gostavam de Mariana. Desejaram vê-la não morta, mas humilhada, e escolheram para isso, o dia do baile de formatura. Queriam vê-la infeliz...quanta maldade!
O ginásio do colégio estava cheio. A música tocava freneticamente, e corpos já suados esbarravam-se uns nos outros, naquilo que parecia ser uma tentativa de dançar. As luzes coloridas varriam o ar espesso e pesado do ginásio naquela noite tórrida de verão. Mariana estava esperando seu par. Esperou, esperou, esperou, esperou e nada! Havia colocado um vestido azul brilhante, prendera o longo cabelo num arranjo de flores. Fez o melhor para aquela noite, não simplesmente para ficar bonita, mas para agradar aquele a quem seu coração escolhera. E ele, pensou ela, se deu o direito de não aparecer.
Enquanto Mariana se dirigia apressada para a saída do ginásio, tropeçando na barra de seu longo vestido, uma lágrima revolta correu de seus olhos claros. A maquiagem se desfez, assim como se desfizera o sonho de ser amada.
Sentiu dissolver-se ao sabor de suas lágrimas indóceis as quimeras, as ilusões e a lembrança daquilo que poderia ter sido. E uma saudade sem tamanho encheu o coração vazio de Mariana. Sentiu saudades do tempo em que podia ser ela mesma, sem que ninguém lhe perturbasse o espírito; saudade de quando podia simplesmente viver tranqüila, sem se preocupar em ter que agradar a alguém para ser aceita. Antes de chegar à porta de saída, viu aqueles que lhe zombavam e olharem para ela satisfeitos, com gargalhadas terríveis a lhe subirem do estômago.
Logo de início, percebeu que eles haviam tramado tudo. O que lhe doeu mais não foi a armação contra ela, contra sua felicidade, mas o riso! Isso a remeteu a tantos anos sendo motivo de cochichos e risos pelos corredores do colégio. E piorou muito quando aquele a quem ela amava surgiu entre todos, apontando-lhe o dedo e rindo. Enquanto saía daquele lugar inóspito, tropeçou na barra de seu vestido azul brilhante. Aí é que choraram de tanto rir!
Com a maquiagem desfeita, com os olhos embotados de rimel e lágrimas, Mariana descobriu que a música dizia a verdade: antes que o sol lhe viesse socar a cara, ele já teria ido embora. E assim terminou a noite: libertadora, já que não tornaria a ver aquelas pessoas que tanto a machucaram, mas dolorosa, porque aprendeu no riso deles que o amor é uma catástrofe, e machuca muito! (04/09/2010 - 01:28h)

17 de agosto de 2010

"...Fogo que arde sem se ver..."


Amor Desesperado

Agoniza o sol nesta tarde cinzenta,
Deslizam sob o céu nuvens errantes, imaculadas.
Não há mais razão para minhas lágrimas incontidas:
Nasce uma vã esperança, enquanto finda este inverno.

Amo-te!
Amo-te mais, infinitamente mais, cada dia,
A ponto de não ser capaz de existir longe de ti, Musa,
Até perder a minha razão, amo-te!

Calafrios tenebrosos percorrem meu corpo,
Teus olhos não cessam de virem-me à mente.
Onde posso escapar de tua voz tão doce?
Amo-te até o desespero!

Amo-te como um desesperado,
Com um insano ar de inocência,
Numa ilusão tórrida e insólita de menino,
Como um amante enlutado!

Morre a tarde!
Num gesto de ternura, tento me lembrar do teu riso.
Uma visão etérea invade minha mente,
És tu, Criatura Bela...

Morro de amor em teus braços,
Provo de mil paixões.
Sinto desfalecer minha alma,
Felicidade celeste ao teu lado!

Nada mais digo,
Recolho minhas lágrimas.
Cessam minhas tormentas,
Porque amo-te sempre e para sempre... Até o fim, amo-te!

Juliano Cruz
12/08/2007- 18:26h

3 de agosto de 2010

Aqui jaz...

Após um período de silêncio, volto a postar aqui um poeminha meu que, modéstia à parte, é um dos meus mais bonitos. Ele ficou um tempo esquecido, porém, eu o encontrei ainda há pouco e achei que valia a pena postar.
Quero que isso seja posto sobre minha sepultura!


Lápide

"Aqui jaz um poeta, talvez imortal!
Sob este frio mármore, na gélida terra,
Jaz um poeta que fez questão de morrer
Nas linhas de um amor imperfeito,
Afogado em suas próprias lágrimas,
Sufocado em seus gritos mudos.
Jaz aqui um poeta, insano, inconstante,
Que se negou a aceitar as cartas marcadas;
Viu a vida esvair-se em seus versos
Confidenciados a simples pedaços de papel,
Guardanapos de bar, como lembranças
Das noites sombrias e frias de um distante outono.
Jaz, bem aqui, um poeta.
Que não quis gostar do sol,
Preferindo as noites, a magia das madrugadas,
A solidão dos dias de inverno,
E odiou os pálidos raios de sol
Que faziam agonizar seus domingos tristes.
Ah, aqui jaz um poeta!
Que nunca soube dizer quem era,
O que queria...Quanta loucura!
Eis, jazendo aqui, um poeta,
Que escreveu sua própria lápide,
Que desejou, um dia, enterrar as lembranças infantis,
E secar as lágrimas de saudade, de desejo, de dor;
Um poeta que apenas viveu a seu modo,
Que tentou juntar os pedaços de uma existência cinzenta e,
Por fim, optou por morrer nos braços de sua própria poesia."

Juliano Cruz
15/06/2009 – 00:11h

22 de julho de 2010

A Genética explica!


Aconteceu assim...

Sempre que passo, ouço
Vozes a clamar: “por que é tão
Triste este rapaz?... quase não se vê sorrir!”
Vou contar, pois, nestes versos
O que aconteceu para que
Triste assim eu fosse.

Quando eu surgi no mundo,
Sem que ninguém ainda o soubesse,
A tristeza fatalmente agarrou-e
À perna direita do cromossomo X,
E negou-se a soltar!

Só por isso, nasci triste,
Sem vontade de sorrir, sem
Ver na vida as cores que
O Onipotente despejou.

Não que seja uma opção,
É mais uma condição,
Que se me impôs nem
Sei por quem, ou seja,
Não me perguntem de quem
É esta culpa, porquê
Nem eu mesmo sei!"

Juliano Cruz
22/11/2009 – 00:25h

15 de julho de 2010

Mais um duro golpe da vida

Como se já não me bastassem todos os golpes, duros golpes, aliás, que a vida me inflige, hoje fui vítima de mais um!
Levei Charlotte (minha pastor alemão) ao veterinário. Ela já tem 13 anos e de um tempo pra cá, foi parando de comer e emagrecendo muito. Chamamos a veterinária, que diganosticou uma infecção no sangue e hipoglicemia. Entramos com medicação, mas ainda assim, ela se negava a comer. Por conta disso, marcou-se uma ultrassonografia para Charlotte.
E fomos nós, hoje, para o consultório da veterinária para o exame e, eis que a vida me golpeou em cheio! Charlotte está com um linfoma no fígado. Em outras palavras, o fígado dela está tão grande que comprime todos os outros órgãos, e não há o que fazer, ou seja, vou tentar levar a vida dela até onde der. Pode durar dias, como pode durar meses.
Não sei muito o que pensar sobre isso. Eu amo essa cachorra. Ela é tão bacaninha! Não consigo parar de chorar em pensar que um ser que eu amo tanto, que sempre esteve perto, que durante 13 anos ficou atrás de mim me cheirando, me lambendo, segurando meu pé, vai morrer, vai esperar a morte e eu não poder fazer nada. Nada...
Sinto como se mais uma parte de mim começasse a morrer. É como se eu já começasse a viver o luto antecipadamente. Já vi morrerem tantas partes minhas, já tive que viver tantos lutos. Mais um duro golpe da vida, e eu, sinceramente, acho que não agüento mais.
Hoje, só sei chorar!

7 de julho de 2010

É que às vezes eu amo tanto que chega a doer...


...daí, tenho que sair de cena!


"O beijo do soldado em sua namorada
Seja pra onde for
Depois da grande noite
Vai esconder a cor das flores
E mostrar a dor.".

(Cazuza)

30 de junho de 2010

"Saudade é a presença do distante". (Bilac)


"-Desengasguei!
-E o que havia em tua garganta?
- A saudade de ti!" (De uma conversa com um amigo)


Alguém já bem disse que a saudade é uma coisa muito complicada, e eu acredito que seja verdade. Há dias em que ela fica adormecida em alguma parte qualquer de nossa mente. Mas há dias, também, em que ela desperta, e não se limita a um determinado espaço em nós. Ela faz questão de se alastrar por todo o ser!
Tudo o que fazemos nos remete a algo que se perdeu, ou a alguém que se foi, ou mesmo a algo que não existiu, que nunca aconteceu, de alguém que nem conhecemos.
Hoje meu dia está assim: cheio de saudade! Uma nostalgia estranha, que violentamente me invadiu, desde as primeiras horas da manhã. Mas não está sendo uma saudade ruim, que me deixa triste.
Sinto uma saudade, hoje, que me trouxe boas lembranças. Lembrei-me das brincadeiras de criança, até tarde da noite em antigos verões; dos esconde-esconde, dentro da casa da Vóvis; dos sustos que dávamos uns nos outros, com o único intuito de atormentar; das vezes em que dormia sobre a barriga do meu pai, quando eu tinha 2 ou três anos, e de tantas outras coisas.
Sentir saudades...sentir viver e pulsar tão perto a presença do que está distante, do que só existe ainda em mim. E isso hoje me fez bem!

28 de junho de 2010

Agonia...


Anjos chorosos caminham por essas
Ruas quaisquer de inverno.
Perdidos numa estrada vazia,
Presos entre passado e futuro,
Gritam suas dores em lamentos insólitos,
Como se fosse a última chance de uma
Ínfima felicidade!
Ó, esperança fugaz!
Ó, gritos de dor e amor!

É hora de caminhar, mas não
Sei se o posso fazer sem que
Tenha por perto quem um dia me
Não consigo me viver, caminhar,
Prometeu amor e paz eternos!
Acordar sem que pense, a cada dia
Que minha vida dissolveu-se como
Um castelo de areia ao sabor de uma onda.
E vejo morrer em mim tudo aquilo que já
Agonizava há tempos!
E não consigo traduzir o que se passa
Em meu peito, o que inunda minha
Mente inquieta como gotas ferozes.

Não há perturbação que resista à paz de teu abraço,
Não há noite que persista ante a luz de teus olhos.
Mesmo que você não veja, meus olhos, na multidão,
Procuram pelos teus. Minha carne, em desespero,
Grita pelo teu abraço, teu calor...

Juliano Cruz
19-28/06/2010

27 de junho de 2010

Apenas uma tentativa de TRADUÇÃO!



TRADUZIR-SE

"Uma parte de mim
é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

Uma parte de mim
é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim
pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim
almoça e janta:
outra parte
se espanta.

Uma parte de mim
é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim
é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte
na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?"

Ferreira Gullar

26 de junho de 2010

Aprendendo


Hoje aprendi uma coisa que, pelo menos para mim, será de grande valia: quando os versos de um poema novo inundarem a alma, anote-os imediatamente!
Sim, tive hoje, assistindo a um dvd do The Doors, um insight com uns versos lindos, porém, não os escrevi, confiando em minha memória, que nunca foi grande coisa. Resultado: sentei-me, agora com o intuito de escrevê-lo para postar aqui, mas minha memória não foi capaz de trazê-los à tona!
O que me deixa satisfeito é que, mesmo que ninguém o tenha lido, ou mesmo ninguém sabendo do que ele trataria, esse poema misterioso e desconhecido aconteceu dentro de mim, portanto, ainda que por um breve espaço de tempo, ele esteve vivo, já que, para um poema viver, segundo penso, ele não precisa ser escrito. Basta que ele aconteça.

21 de junho de 2010

Infinito...talvez particular...


Acordei, como de costume, às 00:06H da manhã, pontualmente! A vida proletária me obriga a isso. Que sina! Ter que se sujeitar a tantas coisas para poder tentar ser alguém na vida. Enfim, nem é sobre isso que quero falar.
Minha mãe abriu a porta do quarto, e a luz do corredor invadia uma parte do meu simples aposento. Fiquei, por alguns minutos, deitado na cama, pensando na vida. Rapidamente meu cérebro já começou a processar as mil coisas que teria de fazer durante o dia. Aliás, até quando durmo (do pouco que durmo) minha mente faz questão de não desligar. Em meio a infinitos pensamentos, fantasias, desejos e emoções, surgiu-me um desejo diferente! Começou como uma simples gota, e quando dei por mim, era uma enxurrada violenta que estava a me invadir, sem dó e sem piedade!
Era um desejo de infinito, de absoluto! Era como se, num instante, minha alma pudesse ser preenchida! Não sei dizer por quanto tempo esse desejo, essa sensação de saciedade na alma durou, porém, sei que me levantei da cama atordoado, quase alheio!
Agora, quase doze horas depois, consegui digerir um pouco disso tudo e venho escrever. Na verdade, eu nem sei que significado dar a isso. Não quero entender, quero saber o que isso significa, apenas.
Enquanto eu não consigo achar um significado, resta-me viajar na voz de Aretha Franklin...Don´t Play That Song For Me...

17 de junho de 2010

Não é fácil!


Queria postar alguma coisa. Sei lá...escrever, deixar alguma impressão legal sobre o que tenho feito, mas hoje estou num dos meus dias cinzentos.
Pela manhã, minha amiga me perguntou se eu estava de bem com a vida, hoje. E descobri que estou sempre de bem com a vida, só que ao meu modo, e meu modo de esta de bem com a vida talvez não seja igual ao da maioria das pessoas.
talvez eu a tenha escandalizado, mas aprendi, hoje esta grande lição: cada um vive de bem com a vida a seu modo, e eu não tenho o direito de dizer que alguém está errado, até porquê, eu mesmo não sei se meu modo está certo...
Mas, mesmo estando no auge de um dos meus dias cinzentos, onde tudo me é pesado e sem graça, onde todas as coisas tiveram gosto de isopor, estou calmo...Talvez seja apenas um modo de ver as coisas. Quem poderá dizer com certeza?
Hoje, o crédito da ilustração é de meu amigo capixaba David (esqueci o sobrenome....)
Como fui reticente nesse post. Odeio!

11 de junho de 2010

Nem as migalhas!


Hoje estou num dos meus dias cinzentos. Na verdade, acho que nunca vivi um dia que tivesse tido outra cor senão cinza. Sou indiferente ao frio, ao telefone que toca (o celular já tocou várias vezes e eu não tive vontade de atender), às coisas que falam aqui em casa. Nada é capaz de me fazer provar de uma única gota de alegria. Minha oração, a cada dia que passa está mais medíocre (o problema não é Deus, sou eu!). As coisas andam cada vez mais insossas para mim, de tal modo que me é difícil querer provar qualquer coisa nova na vida, já que tudo vai ter o sabor do nada!
A cada dia me sinto mais vazio, mais sozinho e em meio a inúmeros turbilhões de saudade, dor e coisas do gênero. Ultimamente, meu companheiro fiel tem sido Fernando Pessoa e seu Livro do Desassossego. Como em encontro no que ele escreveu; como me identifico com sua alegria na tristeza. É estranho!
Aliás, desde a primeira vez que li ou ouvi certas personalidades, tive a impressão de que eles cantavam ou escreviam a minha alma, como se me conhecessem há muitos anos. Janis Joplin, Elis Regina, Florbela Espanca, Cazuza, Aretha Franklin, Vinícius de Morais, Pablo Neruda, Billie Holiday...Enfim, a lista é infindável.
Estou impaciente, irritado, agitado, com o nó na garganta mais sufocante do que nunca, sem conseguir chorar. Vida estúpida! Tem horas em que penso que...enfim...
Acho que vai ser só isso mesmo. Se não foi diferente até agora, por que esperar que mude? Até as migalhas a vida anda me negando. (11/06/2010 – noite)

9 de junho de 2010

Mais turbilhões...


Ah! Mas o vazio dentro de mim hoje é tão intenso que tomou toda a minha alma. Aliás, estou escrevendo sentindo que o nada está escorrendo pela ponta de meus dedos, tamanha é sua proporção. Tenho a impressão de que a vida faz questão de me esmagar o peito e de me tirar as poucas coisas que ainda tentam fazer sentido para mim.
Sempre aos turbilhões. Sempre com essa terrível sensação de que algo me falta e eu não sei o que é. É como se um pedaço da minha carne me fosse arrancado, violentamente, sem que eu tivesse chance ou força para impedir o ato carniceiro! Sempre com a sensação de que minha vida está diante de um semáforo que não sai do amarelo. Sempre tentando manter a esperança de que, algum dia, as coisas vão melhorar, ao mesmo tempo em que sempre vejo as esperanças dissolverem-se a cada dia.
Ah...