Indignação
"É degradante saber que existe naquilo a que chamamos “nós”, algumas criaturas tão vis, tão abjetas, que me sinto, em certo ponto responsável por muitas atrocidades que acontecem por aí. Se um indivíduo, que faz parte do todo, daquilo que se denomina sociedade, é capaz de matar seu semelhante, sinto que de certa forma, uma morte provocada também me pertence.
Só agora consegui digerir um pouco da história terrível que aconteceu no Rio de Janeiro. Foram onze crianças mortas por um atirador, que agiu de modo frio e extremamente violento. Não tenho o direito de julgar a atitude desta criatura que, apesar da barbárie, era um ser humano, semelhante a mim e a qualquer um que lê o que estou escrevendo. Repito: não o julgo! Ele matou pessoas inocentes, é fato, mas quantos também não são mortos por dentro, na sua alma, na sua dignidade, nos seus sonhos com atitudes minhas das quais eu mesmo não me apercebo?
O que quero deixar registrado é a minha indignação. Quando eu digo que não tenho motivação para me relacionar com o ser humano – coisa que trato em terapia, inclusive – as pessoas costumam se escandalizar e acham que sou obrigado, talvez, a ser só sorrisos, quando, na verdade, eu não acho que eu seja obrigado a aceitar a todos indistintamente, até porque, eu sou obrigado a me aceitar e não tenho o que fazer sobre isso.
Quero deixar registrada a minha tristeza em saber que, no caso dessa tragédia, sonhos foram interrompidos, vidas humanas foram abortadas e lhes roubaram a possibilidade de existir, de crescerem, de experimentarem a dor e a delícia da vida, seus amores, suas dores, suas loucuras. É triste saber que abriu-se, não apenas no seio da sociedade, mas na alma dessas mães, pais, amigos e parentes uma ferida que, certamente não há de cicatrizar, já que a saudade fica adormecida, mas sempre acorda para fazer seus estragos.
Fico triste em saber que muitos adolescentes que sobreviveram ao massacre acabam de receber mais um golpe mais ou menos inesperado, repentino da vida, e terão de lutar muito para tentar fazer com que essa história não seja tão nociva para eles. Dói em alguma parte de mim ver crianças sendo violentadas pela tristeza de uma perda.
Enfim, eu sei que dói. Sinto a dor deste terrível episódio. De algum modo, quase místico, me sinto unido às famílias que foram golpeadas por essa realidade sangrenta e ignominiosa e sinto por elas. Peço a Deus que as console, pois a ferida continuará a sangrar, tanto na vida daqueles que foram direta e letalmente atingidos, como na sociedade, que mais uma vez se vê obrigada a engolir tamanho disparate. (Juliano Cruz" – 08/04/2011 – 14:07h)
Espaço para povoar o nada com palavras, sentimentos e o que mais vier à tona pelos meus ágeis dedos!
8 de abril de 2011
24 de março de 2011
Pra mim, faz muito sentido...
"Eu compus Kozmic Blues com K, é uma viagem muito desesperada para ser levada a sério, tem que ser como uma piada do Crumb, se não não dá para agüentar. Kozmic Blues quer dizer que não importa o que você faça, não vai ganhar a guerra. Quando eu era criança, as pessoas me diziam que eu era infeliz porque estava na adolescência, mas que um dia tudo ia fica legal. E eu acreditava. Primeiro achava que quando o homem certo aparecesse, seria a hora, depois que quando eu pudesse trepar em paz, depois que se eu conseguisse algum dinheiro, etc. Até que um dia, sentada num bar, entendi de repente que nunca ia acontecer nada, que nunca ia ficar legal, que o tempo todo tem alguma coisa errada, sempre, só muda o problema. Não era um prazo de espera, era toda a minha vida."
Kozmic Blues
Time keeps movin' on,
Friends they turn away.
I keep movin' on
But I never found out why
I keep pushing so hard the dream,
I keep tryin' to make it right
Through another lonely day, whoaa.
Dawn has come at last,
Twenty-five years, honey just in one night, oh yeah.
Well, I'm twenty-five years older now
So I know we can't be right
And I'm no better, baby,
And I can't help you no more
Than I did when just a girl.
Aww, but it don't make no difference, baby, no, no,
And I know that I could always try.
It don't make no difference, baby, yeah,
I better hold it now,
I better need it, yeah,
I better use it till the day I die, whoa.
Don't expect any answers, dear,
For I know that they don't come with age, no, no.
Well, ain't never gonna love you any better, babe.
And I'm never gonna love you right,
So you'd better take it now, right now.
Oh! But it don't make no difference, babe, hey,
And I know that I could always try.
There's a fire inside everyone of us,
You'd better need it now,
I got to hold it, yeah,
I better use it till the day I die.
Don't make no difference, babe, no, no, no,
And it never ever will, hey,
I wanna talk about a little bit of loving, yeah,
I got to hold it, baby,
I'm gonna need it now,
I'm gonna use it, say, aaaah,
Don't make no difference, babe, yeah,
Ah honey, I'd hate to be the one.
I said you're gonna live your life
And you're gonna love your life
Or babe, someday you're gonna have to cry.
Yes indeed, yes indeed, yes indeed,
Ah, baby, yes indeed.
I said you, you're always gonna hurt me,
I said you're always gonna let me down,
I said everywhere, every day, every day
And every way, every way.
Ah honey won't you hold on to what's gonna move.
I said it's gonna disappear when you turn your back.
I said you know it ain't gonna be there
When you wanna reach out and grab on.
Whoa babe,
Whoa babe,
Whoa babe,
Oh but keep truckin' on.
Whoa yeah,
Whoa yeah,
Whoa yeah,
Whoa,
Whoa,
Whoa,
Whoa,
Whoa...
20 de março de 2011
Uma possível tradução...

Como eu não possuo
"Olho em volta de mim. Todos possuem ---
Um afecto, um sorriso ou um abraço.
Só para mim as ânsias se diluem
E não possuo mesmo quando enlaço.
Roça por mim, em longe, a teoria
Dos espasmos golfados ruivamente;
São êxtases da cor que eu fremiria,
Mas a minhalma pára e não os sente!
Quero sentir. Não sei... perco-me todo...
Não posso afeiçoar-me nem ser eu:
Falta-me egoísmo para ascender ao céu,
Falta-me unção pra me afundar no lodo.
Não sou amigo de ninguém. Pra o ser
Forçoso me era antes possuir
Quem eu estimasse --- ou homem ou mulher,
E eu não logro nunca possuir!...
Castrado de alma e sem saber fixar-me,
Tarde a tarde na minha dor me afundo...
Serei um emigrado doutro mundo
Que nem na minha dor posso encontrar-me?...
Como eu desejo a que ali vai na rua,
Tão ágil, tão agreste, tão de amor...
Como eu quisera emaranhá-la nua,
Bebê-la em espasmos de harmonia e cor!...
Desejo errado... Se a tivera um dia,
Toda sem véus, a carne estilizada
Sob o meu corpo arfando transbordada,
Nem mesmo assim --- ó ânsia! --- eu a teria...
Eu vibraria só agonizante
Sobre o seu corpo de êxtases doirados,
Se fosse aqueles seios transtornados,
Se fosse aquele sexo aglutinante...
De embate ao meu amor todo me ruo,
E vejo-me em destroço até vencendo:
É que eu teria só, sentindo e sendo
Aquilo que estrebucho e não possuo".
(Mário de Sá-Carneiro, 1890-1916)
16 de março de 2011
O fim do Verão...

Prenúncio de Outono
E me resta o quarto trancado,
A própria e triste companhia,
E goles dolorosos de verdades da vida.
Nada mais! Sim: apenas o
Vazio iminente desta noite, onde a
Vida tudo me negou de suas delícias.
Quantos nós se me elevam até a garganta!
Quanto a frouxidão do falar se faz sentir...
Eu que só queria reencontrar minha vida
Num abraço cheio de ternura.
Juliano Cruz
(16/03/2011 – 23:19h)
13 de março de 2011
Coisas que podemos concluir num domingo...

"Conclusão
Porque somos essa colcha de retalhos
Poéticos que traduzem a vida.
Justamente!
A alma transcende a carne, os poros.
Tudo se faz uma só tristeza.
Mil sensações debatem-se por
Entre as paredes da mente, e o brilho
De um olhar que me foi negado
Interrompe meu sono numa hora
Qualquer da madrugada. Estou sozinho."
(Juliano Cruz e Isabel Escarmin
13/03/2011 – 12:30h)
5 de março de 2011
No olho do furacão...

"O peso desta noite passou-me dos ombros à alma num átimo de tempo; e o abismo que existe entre mim e minha vida torna-se, a cada dia, mais intangível, tamanha é sua extensão! Vejo minha vida, mas me parece existir um não sei quê que me impede de tocá-la, de dar a ela um rumo diferente por mais que eu me esforce. Sinto invadir meu peito um vazio denso, como se uma saudade sem fim me habitasse; como se o vazio que já me é peculiar tomasse proporções de grandeza infinda, me sinto mergulhar, cada vez mais neste nada, nesta falta de não sei o que, nessa saudade de quem não conheci, de algo que não vivi. É como se faltasse a mim um pedaço do meu próprio ser, como se eu tivesse perdido uma parte importante de mim, um estilhaço, um membro invisível. Sinto-me abortado de mim mesmo! E sinto que a vida continua a ser abortada de mim em cada olha lançado em direção ao espaço vazio do quarto, em cada gota de chuva que se choca com o chão. A vida se esvai de mim. Sempre! E eu não sou capaz de tocá-la, preservá-la. Ela apenas se esvai de mim como num êxtase ao contrário. Eu saio de mim, mas não sei para onde vou; transcendo meu corpo, mas não tenho rumo certo".(Juliano Cruz - 05/01/2011 - 00:15h)
3 de março de 2011
Novidade Poética...

Descobri hoje, por intermédio da minha grande amiga Maria Isabel, o poeta Abgar Renault. Li esta poesia dele e me identifiquei muito, pois traduz o modo como venho me sentindo há algum tempo. Espero que gostem. É de uma beleza ímpar!
Balada quase metafísica
"Eu estou assim
absolutamente irremediável
por dentro e por fora, acordado ou dormindo
na Duração, no Tempo e no Espaço.
Eu sou assim:
sem cômodo comigo, sem pouso, sem arranjo aqui dentro.
Quero sair, fugir para muito longe de mim.
Todas as portas e janelas estão irrevogavelmente trancadas
na Duração, no Tempo e no Espaço.
Que é que eu vou fazer?
Não fica bem, assim sem mais nem menos, falecer.
Queria rezar, mas eu sou isto, meu Deus!,
e de minha reza, se reza fosse,
não ouvirias uma só palavra.
Tem pena, uma pena bem doída de mim,
meu Deus, e ouve para sempre esta oração,
e ampara isto que sou eu
na Duração, no Tempo e no Espaço".
Abgar Renault
(1901-1995)
18 de fevereiro de 2011
Tansbordando alma pelos poros...

Tua Ausência
"Se soubesses a falta que me fazes,
Não estarias ausente de mim
Desde a última noite.
Se pudesses sentir o vazio que tua ausência
Deixa em meu pobre peito, estarias
Aqui, ao meu lado, enquanto estes
Versos indômitos se precipitam sobre
Este papel de alvura impenetrável.
Ah, o que fizeste comigo, Criatura?
Sinto evanescer qualquer pensamento
Ao menor sinal de tua lembrança!
O desejo por teu abraço me toma de
Assalto às horas mais inusitadas.
Ouço minh´alma bradar por
Teu nome nesta noite vazia de verão...
Medo e prazer se confundem;
Mil sensações se espalham pela
Minha carne que só deseja o
Calor de um teu abraço.
E tento te encontrar em um raio
De luar, numa estrela qualquer,
Numa canção inesperada.
Apenas tua ausência e a sede
Que tenho de ti, se fazem sentir."
Juliano Cruz
14/02/2011 – 23:14h
2 de fevereiro de 2011
Vocação
18 de janeiro de 2011
Viagem...

Pois bem, meus nobres, cá estou curtindo as delícias litorâneas na Riviera de São Lourenço! Ah, merecidas férias! Estava à beira de uma estafa. Meu cansaço era tanto que eu mal conseguia pensar, ou mesmo apreender o que eu lia, ou mesmo que eu rezava. Aliás, por mais de um mês, abandonei a oração, e no início deste ano novo, me decidi a recomeçar a vida com Deus. Vou indo, aos pouquinhos, tentando rezar, meditar, mas minha caberça está sempre aos turbilhões.
Quanto às férias na praia, bem...estou me ocupando em não fazer nada. E quanto mais fico sem fazer anda, menos tenho vontade de fazer. Abandonei a neurose do relógio, da vida pré-moldada e fico longas horas na praia, sob o sol (pasmem!)
Na verdade, estou entendendo agora o que significa descanso.
Quando voltar à Araraquara, posto mais coisas. Abraços.
12 de janeiro de 2011
Versos inacabados

Queria encontrar algo legal pra postar, e relendo alguns escritos e poemas, achei estes versos. Eu apenas os iniciei, depois não tive mais inspiração para os continuar e ficou por isso mesmo. Nem nome eles tem...
"Não há perturbação que resista à paz de teu abraço,
Não há noite que persista ante a luz de teus olhos.
Mesmo que você não veja, meus olhos, na multidão,
Procuram pelos teus. Minha carne, em desespero,
Grita pelo teu abraço, teu calor..."(19/06/2010 – 18:44h)
4 de janeiro de 2011
O Conto de 8 nomes possíveis...

Ultimamente, tenho sentido que histórias sem sentido algum têm gritado dentro de minha cabeça. Vou postar, hoje, uma delas, que tem oito nomes possíveis, portanto, cada um pode chamar este pequeno conto bizarro com o nome que achar que se encaixe melhor. Sintam-se à vontade para comentar, criticar ou elogiar.
Clarissa (O Banho, Inocência Roubada, Sonho Morto,
Existência A-nexa, Morte Diária, O Vapor no Fim da Tarde, Verdades Vazias)
"-Ao contrário do que você pensa, não me agrada viver esta vida imunda!
Depois de encerrar a discussão com estas palavras, Clarissa trancou-se no quarto e sentiu uma náusea subir-lhe do estômago à alma, e um certo pavor de vida lhe turvou a visão. Havia gritado tudo o que estava engasgado em sua garganta havia anos, desde que se entendia por gente, e não se sentia aliviada de dizê-lo, já que a vida ainda lhe fazia um peso sem fim sobre os ombros e sobre a alma. Adormeceu.
No fim da tarde, resolveu despir-se da roupa da noite que ainda persistia, bem como o perfume forte que já lhe era peculiar. Antes de tirar a roupa, abriu o chuveiro e seu corpo esguio desejou provar da quentura daquela água que jorrava impetuosa. Observou as marcas da violência recebida de seu cliente que mais aprecia um bárbaro. Já debaixo da água quente, sentiu as dores e as infelicidades de uma vida sempre miserável e cheia de perplexidades. Por fim, sentou-se ao chão, e enquanto os vapores de seu banho lhe lavavam o corpo, as lágrimas que lhe corriam discretas dos olhos lavavam-lhe a alma de todas as atrocidades que a vida lhe havia imposto. Chorou copiosamente e se deu ao luxo de abafar os soluços para que ninguém os pudesse escutar.
Por algum tempo, durante aquele choro vespertino, chegou a sentir nojo de si mesma, mas afinal, era a única oportunidade que a vida lhe oferecera e, para ela, viver estava sendo suficiente, tanto assim que ela mesma não exigia mais anda de si mesma.
Enquanto as lágrimas lhe corriam pela face, lembrou-se saudosa da infância, dos tempos da amarelinha desenhada no asfalto nu, das brincadeiras puras na calçada da casa de sua avó, quanto sua mãe dava voltas pelo mundo. Lembrou-se do primeiro amor, do primeiro beijo...tão cândido!
E sem alegria ou saudade quaisquer, lembrou-se do dia em que morreu pela primeira vez. Nós temos que morrer tantas vezes ao longo de um só dia e para tanta coisa, que já deveríamos estar acostumados à morte. Para tudo é preciso morrer. Nascer é começar um processo de morte; é caminhar lentamente para a plenitude de ser e para a não-existência. E ela se lembrava da primeira morte, aos oito anos, quando teve sua inocência pisada, destruída e seus sonhos de menina mortos, levados ao sabor da enxurrada. Tinha oito anos, mas a partir daquele dia, nunca mais soube o que era a alegria de uma criança, pois aquele homem de olhos negros e nervosos, de camisa imunda, havia roubado o que de mais precioso Clarissa tinha.
Ainda menina, ela morrera num canto qualquer de um terreno baldio, e com ela morreram as esperanças, as alegrias e nunca mais Ela soube o que era uma noite tranqüila de sono. Começou a acordar aos sobressaltos, chorando, e sentia constantemente que havia um nó em sua garganta, e que havia dentro de si um vazio tão grande, violento e intenso, que era quase palpável. Constantemente era vista olhando para longe, como se esperasse vir pela rua estreita uma resposta àquela dor que a devastava. Mas nada!
E nisso começou a aprender que não adianta esperar respostas ou explicações. Nem tudo o que acontece tem uma explicação, e isso a fazia mergulhar mais ainda em uma descrença quase absoluta de tudo quanto havia na vida. Como podia o Deus a quem fora forçada a acreditar não tê-la livrado de ver morrer seu interior todo cheio de vida? E como numa mistura de prazer e agonia, de dor e amor, êxtase e delírio, Clarissa sentiu, mais uma vez, sob a água quente de seu banho, morrer dentro de si mais um pedaço de sua vida. Já haviam roubado dela pedaços tão importantes de si, partes de uma vida que poderia ser tão promissora, que ela já não conseguia mais ver nada em seu caminho a não ser os estilhaços que sobraram pelo chão enquanto ela caminhava.
Simplesmente cansada! Cansada de ver morrer aquilo tudo que ela considerava importante, de ver morrer seus sonhos, suas esperanças, suas alegria...
Buscava também a verdade. Mas não um verdade qualquer. Buscava uma verdade que a pudesse preencher, que trouxesse um pouco de leveza à sua vida conturbada. Mas todas as verdades oferecidas a ela eram insuficientes, cheias de conceitos que já não mais cabiam em seu pensamento fluido (náusea). De tanto ouvir verdades vazias, resolveu acreditar em suas próprias verdades, e isso lhe possibilitou certa leveza, muito embora, o pavor que tinha de viver fosse gritante.
Após chorar sob o chuveiro, sentada àquele chão que lhe era tão conhecido, Clarissa se levanta e vai olhar-se no espelho, o chuveiro ligado. E viu ali não uma garota que vendia prazer aos outros, mas o pálido reflexo de alguém que apenas recebeu duros golpes da vida e nada pôde fazer para se fixar naquilo que chamam lado bom. Olhou-se e chorou um pouco mais. E o vapor a inundar o banheiro". (29/12/2010 – 00:02h)
1 de janeiro de 2011
Regresso...

Depois de meses sem postar absolutamente nada, regresso no primeiro dia de 2011. Não sei o que postar hoje, porque o sono está me consumindo, porém, vou pensar em algo legal pra colocar aqui.
Ultimamente tenho escrito contos (bem medíocres, por sinal) e algumas histórias bem toscas que andam correndo pela minha cabeça. Enfim, a cada coisa que acabo de escrever, me sinto meio morto, como se um pedaço da minha carne fosse abortado de mim. Acho que é bem isso, porque tudo o que escrevo faz parte de mim, e quando eu coloco no papel, já não me pertence mais, é arrancado de mim.
Parece bem estranho, mas é o melhor que posso fazer por enquanto...
12 de setembro de 2010
Sem definições

Eu vou jogando com as palavras. Às vezes, escrevo coisas que não entendo muito bem. Outras vezes, ainda, eu releio coisas que escrevi há tempos e é como se outra pessoa as tivesse escrito, não eu. Tenho a impressão de que estou lendo coisas escritas por uns estranho, pois não me reconheço no que escrevi, no que saiu de minha alma e veio à tona em versos, frases, ou fragmentos.
Já tentei, muitas vezes, me definir no que escrevo, mas descobri há pouco que não posso me definir, porquê ainda não estou pronto! Se estiverem atrás de mim, querendo que eu fale ou explique quem sou, estão perdendo a viagem. Estou me construindo, construindo a minha existência, meu caminho, minha essência!
Talvez pelo fato de ainda não ser, eu não consiga me reconhecer nas coisas que eu mesmo escrevi há meses, anos atrás. Eu estou mudando. Sinto que hoje não sou igual ao que fui há seis meses. Sinto que uma alegria infame andou me contagiando a alma de uns dias pra cá. Sinto que meu corpo já sofre os efeitos do meu cansaço mental com intensidade. Sinto, sinto, sinto...
Ainda hoje, à tarde, reli alguns poemas e fragmentos escritos à mão há alguns anos. As folhas já estavam amareladas pelo tempo, com as bordas amassadas. Alguns foram escritos em guardanapos de papel em algum noite de verão, outros escritos em pequenos pedacinho de papel que, certamente, eram rascunhos de algum lugar. Meus versos mudaram, minha forma de escrever mudou, o que eu sentia mudou. O que não mudou foi fato de sentir. Minha alma é maior que meu corpo. Sinto tudo de modo mais gritante do que os “normais”. E gosto de sentir desse jeito!
Dispenso os perfumes suaves, os temperos suaves; dispenso os sabores insossos, as luminosidades médias. Não gosto do meio-termo, do médio, das coisas equilibradas demais! Gosto dos extremos, porquê viver de equilíbrios é quase morrer!
Juliano Cruz
12/09/2010 – 00:12h
9 de setembro de 2010
Intolerável

"De tão caótica, há períodos em que a vida se torna intolerável dentro de mim. Não encontro outra forma de me libertar desse caos senão escrevendo, tentando entorpecer a mente, a alma, ou seja lá o que for com estas simples confidências tristes que me escorrem pelas pontas dos dedos como se fossem um lamento líquidos de proporções escandalosas!
Às vezes essa coisa intolerável perdura por dias a fio. Outras vezes, se ausenta de mim em prazo de milésimos de segundos. O tempo que duram, na verdade, pouco importa. Importa, realmente, saber que estes períodos de vida intolerável, cheia de vazios e cinzas devastam-me quase por completo. Em tempos assim, eu só consigo enxergar os dias coloridos como pálidos reflexos de qualquer coisa. Tenho ódio ao sol, náusea à luz e às cores. Tudo se torna tão insuportável que julgo estar perdendo uma parte importante de mim, como se ame fosse abortado algum órgão vital.
Intolerável, vazia, acinzentada...assim vejo as ruas, os carros, os amantes sob o luar, as flores da palpitante primavera que se aproxima. A vida dentro de mim se estancou há muito. A alma, pelo que vejo, já é morta, porém o corpo ainda faz questão de se manter vivo. Nada me desperta a atenção: as cores, os sons, os odores, enfim, tudo se faz sentir por mim com uma agressividade tamanha, como se minha alma estivesse transcendendo meu corpo, transbordando por meus poros. A única coisa que ainda procuro é um olhar numa rua qualquer que me reconheça, que se reconheça no meu olhar; um abraço que necessite do meu abraço, não sei quê de satisfação que consiga me atingir na veia".
Juliano Cruz
(08/09/2010 – 22:38h)
4 de setembro de 2010
"Eu tive um sonho ruim e acordei chorando..."

Escrevi este texto ainda há pouco, após acordar de um pesadelo. Há muito de mim no que escrevi, como também há coisas de outras pessoas próximas a mim. É madrugada e eu não consigo dormir...
Uma overdose de verdades da vida
Ela não era feia. Tinha um belo corpo esguio, longos cabelos castanho claro e nos olhos esverdeados a fúria de um mar bravio. Apenas não era dada a conversas fúteis, o que fazia dela um ser humano incomum; diferente da maioria. Porém, a maioria a achava estranha. Ela era inteligente: lia bons livros, ouvia boa música, apreciava bons filmes, e tinha apenas 17 anos. Seu nome era Mariana.
A coisa toda começou na escola. Um dos meninos, popular, até, se aproximara dela e começara a notar que ela era muito mais do que o silêncio e os jeans surrados que usava. Ali havia alma! Uma alma cheia de encantos e de uma vida indizível. Por fim, acabou por apaixonar-se. Não havia muito a fazer senão apaixonar-se por aquela criatura tão meiga. Cheia de puros desejos de felicidade, apreciou andar pelos corredores do colégio de mãos dadas com seu romance adolescente, cheio de maturidade.
Muitos se doeram com isso.
- Quem ela pensa que é? – diziam as bocas infernais.
De tão inconformados com aquela cena, resolveram tramar o fim daquilo tudo. Não gostavam de Mariana, que jamais fizera qualquer coisa que pudesse angariar o ódio de alguém. Aliás, havia sido ensinada, desde criança, que todos têm o direito de serem como quiserem ser, e que ninguém tem o direito de interferir nas escolhas dos outros. Fora educada a respeitar a quem quer que fosse!
Infelizmente, não gostavam de Mariana. Desejaram vê-la não morta, mas humilhada, e escolheram para isso, o dia do baile de formatura. Queriam vê-la infeliz...quanta maldade!
O ginásio do colégio estava cheio. A música tocava freneticamente, e corpos já suados esbarravam-se uns nos outros, naquilo que parecia ser uma tentativa de dançar. As luzes coloridas varriam o ar espesso e pesado do ginásio naquela noite tórrida de verão. Mariana estava esperando seu par. Esperou, esperou, esperou, esperou e nada! Havia colocado um vestido azul brilhante, prendera o longo cabelo num arranjo de flores. Fez o melhor para aquela noite, não simplesmente para ficar bonita, mas para agradar aquele a quem seu coração escolhera. E ele, pensou ela, se deu o direito de não aparecer.
Enquanto Mariana se dirigia apressada para a saída do ginásio, tropeçando na barra de seu longo vestido, uma lágrima revolta correu de seus olhos claros. A maquiagem se desfez, assim como se desfizera o sonho de ser amada.
Sentiu dissolver-se ao sabor de suas lágrimas indóceis as quimeras, as ilusões e a lembrança daquilo que poderia ter sido. E uma saudade sem tamanho encheu o coração vazio de Mariana. Sentiu saudades do tempo em que podia ser ela mesma, sem que ninguém lhe perturbasse o espírito; saudade de quando podia simplesmente viver tranqüila, sem se preocupar em ter que agradar a alguém para ser aceita. Antes de chegar à porta de saída, viu aqueles que lhe zombavam e olharem para ela satisfeitos, com gargalhadas terríveis a lhe subirem do estômago.
Logo de início, percebeu que eles haviam tramado tudo. O que lhe doeu mais não foi a armação contra ela, contra sua felicidade, mas o riso! Isso a remeteu a tantos anos sendo motivo de cochichos e risos pelos corredores do colégio. E piorou muito quando aquele a quem ela amava surgiu entre todos, apontando-lhe o dedo e rindo. Enquanto saía daquele lugar inóspito, tropeçou na barra de seu vestido azul brilhante. Aí é que choraram de tanto rir!
Com a maquiagem desfeita, com os olhos embotados de rimel e lágrimas, Mariana descobriu que a música dizia a verdade: antes que o sol lhe viesse socar a cara, ele já teria ido embora. E assim terminou a noite: libertadora, já que não tornaria a ver aquelas pessoas que tanto a machucaram, mas dolorosa, porque aprendeu no riso deles que o amor é uma catástrofe, e machuca muito! (04/09/2010 - 01:28h)
17 de agosto de 2010
"...Fogo que arde sem se ver..."

Amor Desesperado
Agoniza o sol nesta tarde cinzenta,
Deslizam sob o céu nuvens errantes, imaculadas.
Não há mais razão para minhas lágrimas incontidas:
Nasce uma vã esperança, enquanto finda este inverno.
Amo-te!
Amo-te mais, infinitamente mais, cada dia,
A ponto de não ser capaz de existir longe de ti, Musa,
Até perder a minha razão, amo-te!
Calafrios tenebrosos percorrem meu corpo,
Teus olhos não cessam de virem-me à mente.
Onde posso escapar de tua voz tão doce?
Amo-te até o desespero!
Amo-te como um desesperado,
Com um insano ar de inocência,
Numa ilusão tórrida e insólita de menino,
Como um amante enlutado!
Morre a tarde!
Num gesto de ternura, tento me lembrar do teu riso.
Uma visão etérea invade minha mente,
És tu, Criatura Bela...
Morro de amor em teus braços,
Provo de mil paixões.
Sinto desfalecer minha alma,
Felicidade celeste ao teu lado!
Nada mais digo,
Recolho minhas lágrimas.
Cessam minhas tormentas,
Porque amo-te sempre e para sempre... Até o fim, amo-te!
Juliano Cruz
12/08/2007- 18:26h
3 de agosto de 2010
Aqui jaz...
Após um período de silêncio, volto a postar aqui um poeminha meu que, modéstia à parte, é um dos meus mais bonitos. Ele ficou um tempo esquecido, porém, eu o encontrei ainda há pouco e achei que valia a pena postar.
Quero que isso seja posto sobre minha sepultura!
Lápide
Quero que isso seja posto sobre minha sepultura!
Lápide
"Aqui jaz um poeta, talvez imortal!
Sob este frio mármore, na gélida terra,
Jaz um poeta que fez questão de morrer
Nas linhas de um amor imperfeito,
Afogado em suas próprias lágrimas,
Sufocado em seus gritos mudos.
Jaz aqui um poeta, insano, inconstante,
Que se negou a aceitar as cartas marcadas;
Viu a vida esvair-se em seus versos
Confidenciados a simples pedaços de papel,
Guardanapos de bar, como lembranças
Das noites sombrias e frias de um distante outono.
Jaz, bem aqui, um poeta.
Que não quis gostar do sol,
Preferindo as noites, a magia das madrugadas,
A solidão dos dias de inverno,
E odiou os pálidos raios de sol
Que faziam agonizar seus domingos tristes.
Ah, aqui jaz um poeta!
Que nunca soube dizer quem era,
O que queria...Quanta loucura!
Eis, jazendo aqui, um poeta,
Que escreveu sua própria lápide,
Que desejou, um dia, enterrar as lembranças infantis,
E secar as lágrimas de saudade, de desejo, de dor;
Um poeta que apenas viveu a seu modo,
Que tentou juntar os pedaços de uma existência cinzenta e,
Por fim, optou por morrer nos braços de sua própria poesia."
Juliano Cruz
15/06/2009 – 00:11h
22 de julho de 2010
A Genética explica!

Aconteceu assim...
Sempre que passo, ouço
Vozes a clamar: “por que é tão
Triste este rapaz?... quase não se vê sorrir!”
Vou contar, pois, nestes versos
O que aconteceu para que
Triste assim eu fosse.
Quando eu surgi no mundo,
Sem que ninguém ainda o soubesse,
A tristeza fatalmente agarrou-e
À perna direita do cromossomo X,
E negou-se a soltar!
Só por isso, nasci triste,
Sem vontade de sorrir, sem
Ver na vida as cores que
O Onipotente despejou.
Não que seja uma opção,
É mais uma condição,
Que se me impôs nem
Sei por quem, ou seja,
Não me perguntem de quem
É esta culpa, porquê
Nem eu mesmo sei!"
Juliano Cruz
22/11/2009 – 00:25h
15 de julho de 2010
Mais um duro golpe da vida
Como se já não me bastassem todos os golpes, duros golpes, aliás, que a vida me inflige, hoje fui vítima de mais um!
Levei Charlotte (minha pastor alemão) ao veterinário. Ela já tem 13 anos e de um tempo pra cá, foi parando de comer e emagrecendo muito. Chamamos a veterinária, que diganosticou uma infecção no sangue e hipoglicemia. Entramos com medicação, mas ainda assim, ela se negava a comer. Por conta disso, marcou-se uma ultrassonografia para Charlotte.
E fomos nós, hoje, para o consultório da veterinária para o exame e, eis que a vida me golpeou em cheio! Charlotte está com um linfoma no fígado. Em outras palavras, o fígado dela está tão grande que comprime todos os outros órgãos, e não há o que fazer, ou seja, vou tentar levar a vida dela até onde der. Pode durar dias, como pode durar meses.
Não sei muito o que pensar sobre isso. Eu amo essa cachorra. Ela é tão bacaninha! Não consigo parar de chorar em pensar que um ser que eu amo tanto, que sempre esteve perto, que durante 13 anos ficou atrás de mim me cheirando, me lambendo, segurando meu pé, vai morrer, vai esperar a morte e eu não poder fazer nada. Nada...
Sinto como se mais uma parte de mim começasse a morrer. É como se eu já começasse a viver o luto antecipadamente. Já vi morrerem tantas partes minhas, já tive que viver tantos lutos. Mais um duro golpe da vida, e eu, sinceramente, acho que não agüento mais.
Hoje, só sei chorar!
Levei Charlotte (minha pastor alemão) ao veterinário. Ela já tem 13 anos e de um tempo pra cá, foi parando de comer e emagrecendo muito. Chamamos a veterinária, que diganosticou uma infecção no sangue e hipoglicemia. Entramos com medicação, mas ainda assim, ela se negava a comer. Por conta disso, marcou-se uma ultrassonografia para Charlotte.
E fomos nós, hoje, para o consultório da veterinária para o exame e, eis que a vida me golpeou em cheio! Charlotte está com um linfoma no fígado. Em outras palavras, o fígado dela está tão grande que comprime todos os outros órgãos, e não há o que fazer, ou seja, vou tentar levar a vida dela até onde der. Pode durar dias, como pode durar meses.
Não sei muito o que pensar sobre isso. Eu amo essa cachorra. Ela é tão bacaninha! Não consigo parar de chorar em pensar que um ser que eu amo tanto, que sempre esteve perto, que durante 13 anos ficou atrás de mim me cheirando, me lambendo, segurando meu pé, vai morrer, vai esperar a morte e eu não poder fazer nada. Nada...
Sinto como se mais uma parte de mim começasse a morrer. É como se eu já começasse a viver o luto antecipadamente. Já vi morrerem tantas partes minhas, já tive que viver tantos lutos. Mais um duro golpe da vida, e eu, sinceramente, acho que não agüento mais.
Hoje, só sei chorar!
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